Maurício Manfrini: O dono do Gogó que conquistou o Brasil

Por Luana Lazarini

Um dos novos talentos do humor brasileiro. Contando “fatos venérios”, o humorista Maurício Manfrini vem se destacando no programa “A Praça É Nossa”, do SBT, ao interpretar o personagem Paulinho Gogó.

Dono de um dom extraordinário de fazer as pessoas rirem, Maurício Manfrini está há 16 anos no programa “Patrulha da Cidade”, da Super Rádio Tupi, e já passou pela famosa “Escolinha do Professor Raimundo”, na Rede Globo.

Viajando pelo Brasil com o personagem Paulinho Gogó, em seus shows Maurício não utiliza cenário ou iluminação sosfisticada, mas apenas um simples figurino e um microfone, o que já é o suficiente para que o público garanta boas risadas.

Em apresentação no Sesc de Três Rios, no último dia 28, Maurício Manfrini falou com exclusividade à Entre-Rios em Revista sobre a carreira e o humor no Brasil.

Entre-Rios em Revista: Maurício, você trabalha como humorista há 16 anos. Quando você percebeu que tinha o dom para fazer as pessoas rirem?

Maurício Manfrini: Na verdade, até hoje não sei se tenho esse dom (risos). Acredito que já nascemos com ele. Eu sempre fui um menino muito brincalhão no colégio, gostava de encarnar nos colegas e professores. Nos tempos de escola, eu era suspenso por indisciplina porque contava piadas e desviava a atenção dos outros alunos. Só que nessa época eu não sabia que fazer humor era uma profissão. Quando criança, meu sonho era ser jogador de futebol. Mas depois sofri uma ruptura no ligamento do joelho e não consegui me profissionalizar.

E como começou o seu envolvimento com a carreira artística?

Com o passar dos anos, depois de ter trabalhado em diversas empresas, comecei a compor trilhas sonoras para espetáculos teatrais infantis. Em 1995, fui trabalhar como rádio-ator na Super Rádio Tupi, participando do programa “Patrulha da Cidade”, onde estou até hoje. Na televisão comecei em um programa do Wagner Montes, na CNT, onde fazia o personagem Paulinho Gogó. Em 2001, fui convidado para participar da “Escolinha do Professor Raimundo”, na Rede Globo. Com o fim do programa, fui convidado pelo Moacyr Franco a integrar o elenco da “A Praça É Nossa”.

Em suas entrevistas, você costuma dizer que foi muito “cara de pau” ao pedir um emprego na Super Rádio Tupi. Como surgiu a ideia de tentar uma vaga na “Patrulha da Cidade”?

Eu era um ouvinte esporádico da “Patrulha da Cidade”. Há 16 anos, eu tive uma tendinite no pé e precisei ficar de repouso em casa por algum tempo. Nesse período, comecei a ouvir o programa todos os dias. Na época, eu fazia cursos, não tinha dinheiro e precisava trabalhar. Foi aí que tive a ideia de ir à Super Rádio Tupi e, na “cara de pau”, pedir uma oportunidade para trabalhar lá. O Juarez Santana, o Gegê da “Patrulha da Cidade” aceitou meu pedido e durante um mês me preparou para trabalhar com dublagem. Fui contratado no dia 02 de outubro de 1995.

E nesses 16 anos de carreira, você já teve o privilégio de trabalhar com grandes mestres do humor, como Chico Anysio, Ronald Golias e Carlos Alberto de Nóbrega. Como é essa experiência?

A primeira vez que dividi o camarim com o Ronald Golias fiquei três horas sem falar nada, só olhando para ele, não acreditava que estava ao seu lado. Só no nosso segundo encontro que consegui conversar com o Ronald e aproveitar para pedir alguns conselhos a ele. O Silvio Santos também foi uma pessoa que nunca pensei que iria conhecer. Quando eu o vi, não sabia se ele erade verdade ou mentira. O Moacyr Franco é meu padrinho, ele que me levou para “A Praça É Nossa” quando eu estava insatisfeito na Rede Globo, por estar sendo mal utilizado no “Zorra Total”. Já trabalhei com outros artistas incríveis, como Canarinho, Saulo Laranjeira, Pedro Bismarck, Rogério Cardoso, Tom Cavalcanti e Fafi Siqueira.

Trabalhar com humor no Brasil é difícil?

No início é difícil, porque precisamos conquistar a confiança das pessoas. Temos que batalhar muito para convencer alguém a acreditar em nosso trabalho. Graças a Deus, tive a sorte de ter pessoas que acreditaram no meu trabalho. Quando eu fui para a “Escolinha do Professor Raimundo”, muitos amigos falavam: “Ah, agora você está com o boi na sombra”. Mas não é bem assim. Aí que tive que provar para as pessoas que merecia estar no programa. Estou no humor há 16 anos, mas todos os dias tenho que provar que tenho condições de estar onde estou. Mas até que hoje em dia é fácil para um humorista fazer piada. Os políticos nos facilitam muito a vida sempre com uma piada pronta para contarmos (risos).


A sua turnê já percorreu diversas cidades brasileiras. Você nota alguma diferença entre o público dos diferentes estados? Acredita que o humor tende a ser regionalizado?

O público é diferente sim. Tem piadas que o pessoal do Rio de Janeiro gosta, mas que não funcionam no Rio Grande do Sul, por exemplo. Tem histórias que eu conto em algum lugar e as pessoas quase caem da cadeira de tanto rir, e em outros, a mesma piada não surte efeito, ninguém acha graça. Depende muito da cultura e da tradição de cada cidade. Certa vez fiz um show em Muriaé (MG) e contei uma piada em que eu falava que a Nega Juju era tão gorda, que quando ela saia na rua em dia de chuva com uma capa amarela, o pessoal chamava: taxi. Em Muriaé, quando falei isso, ninguém riu. Depois fui saber que lá os taxis não são amarelos, mas sim brancos. Mas isso é normal e só aprendemos com o tempo.

Qual sua opinião sobre a nova geração do humor? Acredita na existência do humor politicamente correto?

O humor deve ter limites. Eu não posso fazer uma pessoa rir, falando mal do teu colega. O humor naturalmente tem uma vítima, mas podemos dosá-lo para não ofender alguém. Eu tenho essa preocupação. Às vezes eu erro, porque eu subo no placo, falo alguma coisa improvisada, as pessoas riem, mas percebo que não deveria ter feito aquela piada. Acho que a função do humor é fazer com que as pessoas se divirtam. Nos meus shows eu não tenho a pretensão de fazer ninguém pensar diferente ou mudar de vida. Busco apenas que o público saia do meu show com a barriga doendo de tanto rir.

Nessa onda de humor politicamente correto, o que você achou do episódio Rafinha Bastos X Wanessa Camargo?

O Rafinha falou uma besteira que não chegou a ser uma piada, porque não foi nem um pouco engraçado. Em um programa ao vivo, na obrigação de falar algo em que as pessoas riam, é comum você falar algo que não deve. No entanto, acredito que o pior nessa história foi que o Rafinha Bastos não se retratou, não se desculpou em público pelo que falou. Eu já errei várias vezes, falei o que não devia, mas sempre tenho a preocupação de me desculpar caso tenha ofendido alguém.

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1 comentário

Arquivado em Cultura

Uma resposta para “Maurício Manfrini: O dono do Gogó que conquistou o Brasil

  1. mauroluiz araujo souza

    qual o conselho que vc. poderia me dar para eu ser um redator pois tenho vocaçao para escrever satiras

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